Esse ainda é um dos maiores desafios do universo, acreditem. É como aquela expressão antiga “assoviar e chupar cana ao mesmo tempo”, algo muito difícil de fazer. Digo isso porque tenho observado ao longo dos anos que muitas pessoas cantam sem escutar o que está à sua volta, mesmo cantores ditos profissionais e, acreditem também, muitos medalhões consagrados! Eu mesmo, que não sou nem um pouco perfeito, já cometi esses erros nos primórdios, o que significa que eu não possa me distrair vez por outra...
Tenho uma teoria, para uns bastante estranha, que o processo de canto para quem o inicia em coral está dividido em três partes: a fase da descoberta da própria voz, a fase da melodia e a fase da percepção da harmonia. Quem alguma vez já cantou em coral sabe o que vou falar daqui pra frente nessa singela postagem.
No início, se você começa a dar seus primeiros passos em coral de escola, como a grande maioria dos brasileiros (ie, sem partitura, aprendendo de ouvido), você descobre que pode cantar fora do chuveiro (para muitos a melhor acústica de uma casa) e só tem ouvidos para aquela pessoa do seu naipe que (graças a Deus!) canta a mesma coisa que você. É um alívio, né não? E escutar o naipe todo? Muitos levam meses pra fazer isso! E assim você vai confortável, muito bem mesmo, principalmente se você for soprano, que normalmente detém os temas e melodias principais. Se você for baixo (independente de sua altura), também é fácil. Até porque em corais que estão começando ou em arranjos mais simples feitos para esta formação e nível, a melodia do naipe dos baixos se não for aquele Tum Tum Tum básico vai ser outra coisa tranquila, tonal, beleza... afinal eles são a base, certo? Moleza... É, mas cantar em uníssono num naipe é dificílimo! Muita gente despreza esse detalhe e aí, já viu... A comitiva vai pro pantanal....
Se você for contralto ou tenor, aí você está perdido! Nada faz sentido, melodias estranhíssimas, sem contar que você nunca pode cantar sozinho para mostrar aos outros o que é que você faz no coral afinal, certo? (baixos por vezes também têm esse problema, mas no caso deles isso é muito mais divertido) Quem é que vai entender? Se não tiver texto então... Mas o que poderia ser um terrível limão é a mais saborosa e geladinha das limonadas. Segundo essa minha teoria maluca (?!), a segunda fase deste processo é muito melhor compreendida se você está num desses naipes porque, dali, você pode ouvir os outros naipes do coro. Ah, reconhecer a melodia principal nos sopranos, por exemplo, já faz você começar a pensar que aquelas melodias estranhas que você está cantando fazem sentido finalmente. Depois você reconhece o baixo. Muito legal... E assim você vai cantando e agora dizendo: eu canto em coral! Bacana, não é mesmo? Mas então por que quando acabam certas músicas (e às vezes elas nem chegam ao fim) o regente tá olhando pro coro com cara de vascaíno em dia de gol do Mengão (do Petkovic, aos 43 e de falta) em decisão do Cariocão? Muito simples. Não seria porque aquela coisa engraçada conhecida como tonalidade foi acompanhar as vacas daquela comitiva? Isso muitas vezes é causado não só pela falta de atenção (dos cantores e do próprio regente – e olha que eu já vi cada coisa....), mas pelo fato de nem todos terem a percepção do que está acontecendo à sua volta. Para isso, tem que passar para a fase seguinte.
A terceira fase, que infelizmente muitos passam a vida inteira sem compreender ou sequer perceber, depende de tempo, experiência, percepção (ouvido e sensibilidade) e treino. Ouvir e entender a harmonia que conduz a música que se está cantando (mesmo que intuitivamente) é uma habilidade para poucos, infelizmente. Você não só passa a ouvir todo o coro ao mesmo tempo (sim, isso é possível), como também passa a perceber e identificar as relações entre as notas cantadas por cada naipe (esse é um dos fundamentos do estudo da harmonia). E confesso que, por experiência própria, isso é muito mais fácil se você for tenor ou contralto, se você for mulher ou castrato... ai! (qualquer hora eu falo dessa galera) Ouvir até os divisi em outros naipes tem sabor especial... Ouvir todos eles ao final da “Noite” (belíssima composição para coro a capella de Ronaldo Miranda) não tem preço!
Aqui é o espaço para a música vocal, a capella ou não, brasileira ou estrageira, não importa o estilo, desde que seja boa!
domingo, 28 de março de 2010
terça-feira, 23 de março de 2010
Uma bela voz
Uma bela voz pode estimular, acalmar, fazer dormir, fazer chorar, fazer sorrir, emocionar, enfim pode tudo! E neste último sábado ouvi uma dessas vozes. Minha amiga Marianna Leporace (reverências... reverências... reverências...) canta pra caramba!!!!
Faz uns seis ou sete anos, num belíssimo local chamado Arte Sumária, em Santa Tereza, no Rio de Janeiro (acreditem, mas há quem não saiba onde fica), que infelizmente já não existe mais, ouvi a Marianna cantando acompanhada de ninguém menos que Guinga ao violão... Ao término do show fui até eles e fiz especialmente para ela uma daquelas reverências tribais (daquelas em que se ajoelha, se levantam os braços pro céu e se move o corpo para frente) que a gente vê de vez em quando no cinema. É óbvio que depois desse mico caímos na gargalhada e, desde então, sempre que a vejo: reverências... reverências... reverências...
No dia 20/03/2010, numa bela tarde de sábado, após um saboroso lanche num daqueles bistrôs do Leblon, fui ao Teatro Café Pequeno ver um show da Marianna. Ela abriu o espetáculo com uma versão especialíssima de “Na carreira” (Edu/Chico), nome do show por sinal, com a Sheila Zagury arrebentando no teclado. Que interpretação! A banda, de primeiríssima (além da Sheila Zagury, Murilo O'Reilly, Luisinho Sobral e Fernando Leporace)! Depois foi pura cantoria... Ensaiei até uns uníssonos e contracantos aqui e ali. Teve também a participação de Alberto Rosenblit, em duas de suas mais recentes canções, num belo dueto com a Marianna. Aliás, outro dueto de fazer sonhar foi o que ela fez na canção “Navegante”, esta de composição de Fernando Leporace, seu irmão, ao piano (primeira vez que o ouço tocar este instrumento). Uma daquelas canções que dá vontade de fazer vocais e ficar cantando sem parar. Teve tanta coisa boa no show!
A Marianna é dessas cantoras que sabem interpretar uma canção, ie, dominam ampla e tecnicamente o repertório (coisa rara nesses dias) e transferem tudo pra emoção, já que a fase da técnica foi há muito ultrapassada. Ela se entrega, cai de cabeça e nunca se machuca! Sorri, chora, brinca, se diverte a cada acorde porque sabe, como ninguém, exatamente o que está acontecendo. Essa é a diferença entre “cantora” e cantora... A todos vocês: ouçam-na com atenção!
Reverências... reverências... reverências...
Faz uns seis ou sete anos, num belíssimo local chamado Arte Sumária, em Santa Tereza, no Rio de Janeiro (acreditem, mas há quem não saiba onde fica), que infelizmente já não existe mais, ouvi a Marianna cantando acompanhada de ninguém menos que Guinga ao violão... Ao término do show fui até eles e fiz especialmente para ela uma daquelas reverências tribais (daquelas em que se ajoelha, se levantam os braços pro céu e se move o corpo para frente) que a gente vê de vez em quando no cinema. É óbvio que depois desse mico caímos na gargalhada e, desde então, sempre que a vejo: reverências... reverências... reverências...
No dia 20/03/2010, numa bela tarde de sábado, após um saboroso lanche num daqueles bistrôs do Leblon, fui ao Teatro Café Pequeno ver um show da Marianna. Ela abriu o espetáculo com uma versão especialíssima de “Na carreira” (Edu/Chico), nome do show por sinal, com a Sheila Zagury arrebentando no teclado. Que interpretação! A banda, de primeiríssima (além da Sheila Zagury, Murilo O'Reilly, Luisinho Sobral e Fernando Leporace)! Depois foi pura cantoria... Ensaiei até uns uníssonos e contracantos aqui e ali. Teve também a participação de Alberto Rosenblit, em duas de suas mais recentes canções, num belo dueto com a Marianna. Aliás, outro dueto de fazer sonhar foi o que ela fez na canção “Navegante”, esta de composição de Fernando Leporace, seu irmão, ao piano (primeira vez que o ouço tocar este instrumento). Uma daquelas canções que dá vontade de fazer vocais e ficar cantando sem parar. Teve tanta coisa boa no show!
A Marianna é dessas cantoras que sabem interpretar uma canção, ie, dominam ampla e tecnicamente o repertório (coisa rara nesses dias) e transferem tudo pra emoção, já que a fase da técnica foi há muito ultrapassada. Ela se entrega, cai de cabeça e nunca se machuca! Sorri, chora, brinca, se diverte a cada acorde porque sabe, como ninguém, exatamente o que está acontecendo. Essa é a diferença entre “cantora” e cantora... A todos vocês: ouçam-na com atenção!
Reverências... reverências... reverências...
sábado, 13 de março de 2010
Olá amigos!
Aqui estou eu pela primeira vez escrevendo num blog. Não faço a menor ideia do que acontecerá daqui pra frente, mas minha ideia é falar principalmente sobre música vocal. Quem de vocês nunca ouviu vozes? Eu as ouço o tempo todo, mesmo quando não há vozes à minha volta. Aqui vou falar das coisas que ouvi, do que gostei e acho que seria interessante que vocês ouvissem, dar algumas dicas, enfim, falar sobre o que mais amo na vida: música vocal.
Sejam todos bem-vindos!
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