Aqui é o espaço para a música vocal, a capella ou não, brasileira ou estrageira, não importa o estilo, desde que seja boa!
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
A canção e a palavra...
A canção se intrometeu onde a palavra reinava
E juntas fizeram arte
A palavra protestou entre vozes e risos
Preferiu rótulos ao invés de recusá-los
Proferiu desafios
Praguejou...
A canção e a palavra se perderam sem argumento
Cancões, melodias e versos
Textos, palavras e versos
Se são versos, por que são diferentes?
Por que falam da mesma coisa por meios diferentes?
Por que se diferenciam em formato se elas se nutrem da mesma matéria?
Por que usam o mesmo veículo, nosso corpo, nossa mente?
Se são melodias, por que nem sempre as cantamos?
Por que são difíceis de serem entendidas se não houver palavras?
Por que têm estruturas tal como os versos?
Por que somos forçados a ouví-las?
Se há palavras, quase sempre há canções
Se há canções, nem sempre há palavras
Se verso ou prosa, há também ritmos tal como nas melodias
E se são melodias, são canções... quase sempre...
E se são textos, são poemas... quase sempre...
Então não há poesia no protesto? Claro que há!
Há poesia, portanto, num simples cantar? Certamente...
A canção e a palavra são químicas
A canção e a palavra são ritmicas
A canção e a palavra protestam, queixam-se, desafiam
A canção e a palavra caminham lado a lado, mas se separam quando se tenta anulá-las
A canção e a palavra não têm fronteiras, mas todos sabem de onde elas vêm
A canção e a palavra brigam entre si, mas todos sabem quem é quem
A canção e a palavra calam a boca de quem não as tem
A canção e a palavra são artes que faço para o meu bem
A canção e a palavra não são de ninguém...
À canção e à palavra digo amém!
Vive la Liberté!
Nesta última sexta (14/05/2010), fui a uma apresentação do Canto do Rio, um belo grupo de cantores liderados pelo meu amigo Paulo “Pauleira” Malaguti, no Casarão do Austregésilo de Athayde, no Cosme Velho. Começaram com “Uva de Caminhão”, do Assis Valente, que me fez voltar no tempo, aos idos anos 80, quando assistia aos shows do Céu da Boca, outro grupo sensacional também liderado pelo Paulinho. Com todos os arranjos vocais assinados pelo Pauleira, o grupo fez várias músicas, inclusive uma do Led Zeppelin (Friends, do álbum “Led Zeppelin III”) que ficou muuuito boa! Cantaram também “Chovendo na Roseira”, do Tom (quase o mesmo arranjo que hoje é feito também pelo Coral Harte Vocal, a exceção de uma modulação que, ao revisá-lo, ele introduziu na parte final). Outra coisa que me trouxe boas recordações foi uma versão que eles cantaram para “Laser”, do José Miguel Wisnik, a mesma música que o Vocalise gravou anos atrás, na Voz (o V maiúsculo foi proposital) de Clara Sandroni, convidada especial da noite. Aliás, ela e o Paulinho fizeram um duo maravilhoso apresentando algumas músicas de seu próximo CD, exclusivamente na formação voz e piano, a ser lançado em junho (essa vocês não podem perder!). Depois, o coral voltou para outras músicas e um bis sem sair do palco (realmente ia dar um trabalhão e o mais prático foi ficar ali mesmo, pra alegria de todos).
No dia seguinte, atendendo a um convite do flautista Kim Ribeiro, de quem tive a honra de gravar um belíssimo samba em seu disco “40 Anos de Música”, fui para uma gig de amigos: ele, Valéria Mendonça e Beth Dau. Na verdade eu fui de motorista, dando uma “little help for my friends”, mas acabei cantando. Depois, comida japonesa (deliciosa, apesar do atendimento caótico) e... Lapa!!!!!!!!!
Na Lapa, mais precisamente no Restaurante Lapinha, fui ver um show do BR6, em companhia da guerreira Beth Dau! Lá, ainda encontramos com Paulo Malaguti e Dani Spielman. Show animado, divertido e ousado (todo a cappella) de um grupo que já conquistou o mundo. De fato, eles já cantaram até no Japão e na Bélgica. Na formação, indo do agudo ao muuuuito grave, os amigos Chrismarie Hackemberg, Deco Fiori, Marcelo Caldi, André Protásio e Simô, além da luxuosíssima percussão vocal (sim, qualquer hora eu comento sobre o que é isso) de Naife Simões. No repertório, músicas dos 10 anos de carreira do grupo, tais como Tanta Saudade (Djavan/Chico), Bala com bala (Bosco/Blanc), Águas de Março (Tom), entre outras. Rolou até Tim Maia (Não vou ficar), com um solo “soul music groove style” da Chrismarie. Enfim, um ótimo divertimento! Ao final, longos papos e histórias impressionantes com a Chris e Simô. Falei com todos e os parabenizei pelo belo show, além de arrematar o último CD, “MPB a Cappella II”.
E no domingo, pude conferir os dotes culinários de uma grande amiga, que preparou um magnífico macarrão com molho de berinjela e ricota, regado a um saborozíssimo Carmenère chileno (sugestão minha) na companhia de outros amigos queridos com quem cantei em outros corais e ... por aí... Uma grande confraternização! Uma vez que portas e janelas estão novamente abertas para o mundo, resta a luz no fim do túnel...
Novas vozes no pedaço...
Outra voz de respeito e também outra amiga de muito tempo: Ilessi. A menina que vi crescer se tornou uma ótima cantora! Lançou um CD de nome "Brigador", com belíssimas canções de Pedro Amorim e Paulo César Pinheiro. Aliás, o disco todo é de composições da dupla. Ouçam!