Sinceramente, hoje não quis nem saber! Contrariando ordens médicas de repouso por causa de uma recém manifestada hérnia de disco, saí de casa à tarde. Ainda não tinha comemorado devidamente a acachapante vitória do Mengão em cima do bacalhau (time do homenageado) e fui justamente a um show de samba! Muito mais que isso, fui ouvir a mais fina flor do samba vocal carioca, melhor, brasileiro! O show, uma belíssima homenagem ao cantor e compositor, e infelizmente vascaíno, Martinho da Vila, um dos mestres do samba carioca, foi o lançamento do primeiro DVD do grupo Arranco de Varsóvia, amigos de longa data... Músicos com M maiúsculo! Elisa Queirós, Cacala Carvalho, Andrea Dutra, Muri Costa e Paulo Malaguti, vulgo “Pauleira” (mentor do saudoso grupo vocal Céu da Boca nos anos 80, que me inspirou a querer ser eu também cantor de grupo vocal).
Já fazia tempo que não escutava a galera. Mais tempo ainda que não assistia a show de grupo vocal com instrumentos e isso me causou uma certa dificuldade, no início, para ouvir atentamente se tava tudo equilibrado (manias dos meus tempos de vocalista). Tirando a excitação da “estréia”, ie, o lançamento de um DVD, todos estavam radiantes e muito felizes, o que transbordou pra platéia! Nem foi possível perceber algumas indecisões ou ligeiros equívocos (por sinal, magistralmente contornados pela experiência dos cantores) que sempre acontecem, justamente porque a coisa é “ao vivo” (e ainda bem!). Show quente, vibrante, animado do início ao fim, mesmo que entrecortado por uma, talvez, ex-soprano lírica com aqueles vibratos flácidos cantando atrás de mim (sabe quando alguém canta uma nota longa que acaba se desdobrando em várias? Isso realmente irrita!). Fora isso, consegui prestar atenção em quase tudo!
“CANTA, CANTA MINHA GENTE” e “CASA DE BAMBA” abriram o show numa alegria só, seguidas de PÃOZINHO DE AÇÚCAR e AMOR NÃO É BRINQUEDO! Com uma “cozinha de responsa” (Bruno Cunha, Miúdo e Rodrigo Reis na percussão e Zé Luiz Maia no baixolão), Pauleira ao piano e Muri ao violão, o show transcorreu leve e bem organizado. As meninas, um caso a parte: belas, afinadíssimas, dançantes, sorridentes, cativantes, enfim, Ah meeeeuu Deus! Um repertório belíssimo de cerca de 20 canções, com destaque (na minha humilde opinião), além das que citei, para as canções AMOR, PRA QUE NASCEU? e DISRITMIA. Os arranjos vocais de todo o show estão primorosos, elegantes e refinados! É bom que se diga que mesmo sendo o samba um estilo aparentemente simples, cantar e, mais ainda, realizá-lo com maestria, retirando-o solenemente do lugar-comum, é tarefa pra poucos e a galera do Arranco sabe fazer isso muito bem!
Aqui fica, entretanto, um protesto: é uma injustiça que os grandes meios de comunicação e mesmo uma parte significativa do mundo do samba ainda não tenham se rendido à qualidade e extremo bom gosto musical do Arranco, tanto pela proposta musical, e consequente escolha do seu vasto repertório, quanto pelo acabamento final de cada música!
Me amarrei no vocal do Arranco.
Cantar bem assim é mais que um privilégio!
É Badêjo ou Badéjo?
Nenhum comentário:
Postar um comentário