domingo, 10 de outubro de 2010

Duas vozes, dois violões, um contrabaixo e muita música...

Dois cantores de voz aguda tocando violão juntos. Imaginou? Você já deve estar pensando em dupla sertaneja, certo? Pode esquecer! O que aconteceu ontem no Rival foi tudo, absolutamente tudo, menos isso! Pelo contrário, um show dos mais esperados e um encontro memorável que deveria se repetir mais vezes: Zé Renato e Renato Bráz juntos, dividindo o palco com Sizão Machado, no baixo.

Quando o show começa, logo na primeira música, PONTO DE ENCONTRO, do próprio Zé Renato e do Milton Nascimento, a identidade e a unidade dos dois é tanta que fica difícil dizer quem faz a primeira e quem faz a segunda voz... As vozes parecem ser de uma única pessoa. Fez lembrar os bons tempos dos shows do Boca Livre, nos anos 80. O show teve um pouco dessa atmosfera.

Zé Renato e seu timbre característico e inequívoco conduz a maioria das canções na primeira voz. Limpa, suave e precisa, sua voz é algo que raríssimos cantores possuem. Sem falar no violão, classudo e agradabilíssimo. O Zé faz uma primeira voz que não é primeira voz, meramente. Como disse no início, não estou falando de dupla sertaneja! São linhas melódicas ora do tema, ora complementares, o que não significam aquelas "terça mardita", típicas deste formato. Do Zé, já sou fã de longa data. Só lamento que na única oportunidade que o Vocalise teve de dividir o palco com o Boca Livre (na verdade, abrimos um show deles), ele não estava na formação naquela época.

E o Renato Braz? Tem uma tranquilidade e suavidade ao cantar que faz parecer facílimas as notas de passagem e linhas agudíssimas que canta. Impressionante. Seu timbre lembra demais pra mim a voz do Milton Nascimento nos primeiros anos de carreira. Fiquei imaginando como seria o show com a participação do Bituca... Além disso, o cara toca tudo: pandeiro, berimbau, moringa e violão. Sem contar que volta e meia eles se intercalavam na primeira voz, o que acho que poucos percebiam...

O show teve algo que pra mim foi maravilhoso: RIO AMAZONAS, do Dori, cantada pela primeira vez (pra mim, pelo menos) com letra de Paulo Cesar Pinheiro, um craque! Foi uma das melhores do show. Mas teve mais. DESENREDO, da mesma dupla, com uma citação de Villa Lobos no final, foi lindo! A divertidíssima CAPOEIRA DE ARNALDO, de Paulo Vanzolini foi outro ponto alto. Destaque para dois maravilhosos sambas de Wilson das Neves e Paulo Cesar Pinheiro: UM NOVO AMOR CHEGOU e O DIA EM QUE O MORRO DESCER E NÃO FOR CARNAVAL. A música PAPO DE PASSARIM dá nome ao show e ao CD de outras belíssimas músicas, gravado ao vivo. E eles disseram que ainda vai ter DVD!

A voz humana é o mais belo dos instrumentos, já disseram, quando (nesse caso, com toda a propriedade) bem utilizada. E foi isso o que ouvi e vi... pura arte vocal (sem trocadilhos)....

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