Depois de um longo afastamento deste blog, e inspirado pelos últimos eventos vividos na FLIP deste fim de semana (6 a 8/7/2010), resolvi postar um poema que fiz, falando de música e poesia...
A canção se intrometeu onde a palavra reinava
E juntas fizeram arte
A palavra protestou entre vozes e risos
Preferiu rótulos ao invés de recusá-los
Proferiu desafios
Praguejou...
A canção e a palavra se perderam sem argumento
Cancões, melodias e versos
Textos, palavras e versos
Se são versos, por que são diferentes?
Por que falam da mesma coisa por meios diferentes?
Por que se diferenciam em formato se elas se nutrem da mesma matéria?
Por que usam o mesmo veículo, nosso corpo, nossa mente?
Se são melodias, por que nem sempre as cantamos?
Por que são difíceis de serem entendidas se não houver palavras?
Por que têm estruturas tal como os versos?
Por que somos forçados a ouví-las?
Se há palavras, quase sempre há canções
Se há canções, nem sempre há palavras
Se verso ou prosa, há também ritmos tal como nas melodias
E se são melodias, são canções... quase sempre...
E se são textos, são poemas... quase sempre...
Então não há poesia no protesto? Claro que há!
Há poesia, portanto, num simples cantar? Certamente...
A canção e a palavra são químicas
A canção e a palavra são ritmicas
A canção e a palavra protestam, queixam-se, desafiam
A canção e a palavra caminham lado a lado, mas se separam quando se tenta anulá-las
A canção e a palavra não têm fronteiras, mas todos sabem de onde elas vêm
A canção e a palavra brigam entre si, mas todos sabem quem é quem
A canção e a palavra calam a boca de quem não as tem
A canção e a palavra são artes que faço para o meu bem
A canção e a palavra não são de ninguém...
À canção e à palavra digo amém!
Me querido. Um maravilhoso exercício de liberdade contida. Parabéns, continue escrevendo e emocionando-nos com suas suardas canções.
ResponderExcluir